domingo, 20 de março de 2011

Capítulo 4

Cúram

Quando você recebe um cuidado especial, você se sente importante naquele lugar. E quando as pessoas ao seu redor parecem se importar com seus sentimentos sem que você precise controlá-las, você consegue se sentir... Feliz. Ou talvez perto disso. E quando você se sente feliz, você não quer que isso acabe. E faz de tudo pra que não acabe.

As paredes surradas do hospital pareciam mais paredes de hospício, mas eram elas que me viam acordar todos os dias, antes da Katy chegar pra me desejar um “bom dia” com um largo sorriso. Nos primeiros dias eu murmurava algo como “só se for pra você”, carrancuda, sem que ela percebesse, mas logo me acostumei ao lugar e às pessoas e comecei a responder com outro “bom dia”.
- Acho que o Dr. Gruk vai te dar alta amanhã cedo, Rachel... E você poderá voltar a ver suas amigas. - Katy parecia animada, ao contrário de mim.
- Amanhã? - meu tom era melancólico, com ar de quem implora o contrário.
- Você não gostou da notícia?
Nem um pouco.
Dei um meio-sorriso amarelado e Katy logo virou as costas para atender outro paciente.
Eu não quero voltar para aquele orfanato de merda, pensei, Aquelas pessoas que nunca se importaram comigo... Nem sequer vieram me visitar.
E a repulsa começou a surgir cada vez mais forte. Minha mente gritava de ódio e medo, meu corpo protestava tremendo desesperadamente e meus olhos lacrimejavam de agonia. Eu queria atenção.
- O que houve? Rachel, você está bem? - Katy apareceu de algum lugar que eu não tinha visto.
Eu abri a boca, mas não saía som. Eu não sabia ao certo o que dizer, mas precisava dizer algo. Eu não queria sair dali, eu não iria sair dali.
O tempo começou a passar e o tremor passou junto com ele. As lágrimas não chegaram a escorrer pelo meu rosto e logo eu sabia que minha voz também já estava normal. Nesse momento o Dr. Gruk já estava ao meu lado, medindo minha pressão.
- O que houve comigo, doutor? - minha voz doce e suave saiu da minha boca como se eu não tivesse ficado sem ela por um tempo.
- Não sei ao certo, mas parece que foi o estresse... ­- ele pareceu estar falando mais pra si do que pra mim.
- Isso é grave?
- Só se você tivesse problemas cardíacos, mas pelos exames parece que está tudo bem. - sorriu - Vou te passar um calmante e amanhã você já estará livre pra voltar ao orfanato!
- Eu não quero... - minha voz melancólica apareceu outra vez.
- Não quer o que? - ele parecia não prestar atenção em mim.
- Voltar. Voltar ao orfanato... Por favor - implorei -, eu não quero. Eu não quero. - e então eu encarei aqueles olhos verdes e confusos.
- Você não vai voltar... - disse, num tom diferente - Fique calma.
James Gruk saiu pela porta do hospital mais desanimado do que nunca, dando um soluço bem audível, com horríveis pensamentos correndo por sua mente. Todas as pessoas que ele não conseguiu salvar apareceram de repente em seus pensamentos, e tudo o que ele pôde fazer foi voltar a assistir e vivenciar cada momento doloroso, cada último olhar.
Eu não tinha esse direito.

E lá estava eu no meu lugar trancado, vazio e com um ar gélido. A rocha parecia úmida e meus olhos se fixaram em um ponto... Um ponto obscuro, que antes não havia sido notado... Algo que não deveria estar ali, mas estava. E chamava minha atenção mais do que qualquer outra coisa, me tentava a chegar até ele. Me tentava a descobrir o que estava lá... Mas algo me dizia que eu não devia, que não era seguro.

3 comentários:

  1. OWWNN *-* ME APAIXONANDO PELA HISTORIA XD2/
    Roniis, quero logo o 5°, preciso saber o que a Rachel (me lembra de glee *-*) vai fazer pra não ir pro orfanato .-.

    ResponderExcluir
  2. Olha, Rachel, você tá PASSANDO DOS LIMITES, OK.





    Mentira. Pode fazer isso. Não ligamos porque você é demais

    ResponderExcluir
  3. pois vai voltar pro orfanato sim senhora
    essas coisinhas da mente ae n funcionam cmg
    q

    ResponderExcluir